Pedro L Cipolla
A sorte persegue a coragem
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Textos
1955
                                            


Sou do tempo...
Em que sabonete era Lifebuoy, drops era Dulcora, creme facial era Rugol e lustres só das Lojas Bobadilha.
Das Lojas Americanas e da Exposição Clipper, e o homem elegante só se vestia na Ducal.
Na Sears,a sua satisfação era garantida ou teria  seu dinheiro de volta.
Refrigerante Coca Cola e Crush , sorvete de abacaxi , Kalu e de chocolate Chicabon.
A televisão e a fotografia eram em preto e branco,mas a vida era colorida.
O sonho de todo menino era ser o  cowboy Roy Rogers ou o Zorro e ter o cão Rin Tin Tin ou a cadela Lassie. Os índios eram do Forte Apache.
Sou do tempo em que...
As manhãs  de domingo eram no Sítio do Pica-Pau Amarelo, as tardes no Cirquinho do Arrelia e na Gincana Kibon e à noite a família se reunia em volta da televisão para assistir ao teleteatro na TV Tupi.Claro que só depois das 21:00 h, quando as  crianças já tinham ido dormir.
Revistas em quadrinhos (gibi) eram da Luluzinha, do Bolinha, Pato Donald , Mickey, tio Patinhas e para os adultos a revista O Cruzeiro e a Revista do Rádio.
Os “soldadinhos” eram de chumbo e a meninada jogava bola de meia ou então chutava tampinha na calçada.
Saíamos logo depois das aulas e do almoço  e só voltávamos para casa quando a Light acendia as luzes da rua.Ninguém conseguia nos localizar, a não ser quando a mãe chamava .
Os remédios, que eram tão poucos, não tinham tampa à prova de crianças e bebíamos muita água de torneira.
Na escola se elegia o Bom Companheiro, o garoto “mais legal” da turma,como mais um estímulo para a formação do caráter das crianças. Eram sócias do Clube do Siri, para ajudar ao Hospital do Câncer.Os professores tinham salários dignos e respeito absoluto.
Os alunos que fossem mal nas provas repetiam o ano escolar e os professores não “davam um jeitinho” pra todo mundo passar.
Sou do tempo em que...
Sexta feira Santa as rádios não tocavam música, e se o fizessem  eram aquelas clássicas de Beethoven, Chopin,Lizt , o que dava ao dia um ar de maior respeito até para os que ouvissem rádio.
No sábado de Aleluia a molecada saía com um pau de vassoura às ruas, só pra “malhar o Judas” ,que consistia em bater num boneco de pano amarrado ao poste de luz até destruí-lo.
Tínhamos muitos amigos e a calçada da rua era o nosso ponto de encontro..
Em vez de ficarmos horas em frente à televisão, ficávamos brincando de pega-pega ou o máximo da excitação que era tocar a campainha do vizinho e sair correndo.
Inocência? Pureza demais? Talvez, mas as crianças desse tempo se tornaram criadores de soluções e não de problemas.
Sou do tempo em que...
Ouvia-se rádio com o melhor da música popular brasileira que já morreu, e "droga" só eram os calouros do Chacrinha.
Éramos então a juventude do Brasil, país do futuro e onde os nossos ídolos eram cultos.
O amor passeava pelas ruas, casas e vivia dentro das famílias de braços dados com o respeito e o “Dia da Mentira” era só o 1º de abril.
Amizade era sinônimo de lealdade para sempre, “palavra de honra” valia mais do que muito papel assinado, e amor fraternal era a "voz do sangue".
O dinheiro não comprava tudo e o amor com amor se pagava.
Fazia-se o bem  sem saber a quem e quando se dava aos pobres  emprestava-se a Deus.
Hoje não entendo mais nada...
Se você acha que ter respeito pelos outros é caretice; que ouvir palavrões na televisão até em horário nobre é sinal dos tempos ;  entender que o não crer em Deus é então o “vale tudo” ; não ter amor por sua pátria é tão normal quanto um político roubar milhões de um povo tão pobre e desrespeitado e ainda ser idolatrado por muitos outros   e você não tem medo ?...
Tá certo que sua alma é sua palma e você é quem decide .
Tenho pena das pessoas que não tiveram oportunidade de conhecer a época em que vivi .Tenho pena dos filhos dessas pessoas.
Acredito que quem nasceu lá pelos anos 80, 90 deixou passar o último bonde ou foi deixado...
Afinal que diferença faz ?
Acho que você não sabe nem o que é bonde .

Pedro L Cipolla
Enviado por Pedro L Cipolla em 24/11/2019
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